A Saúde Coletiva como expansão da Saúde Pública
- Débora de Mello e Souza

- 23 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de jul. de 2021
Ao se falar em saúde, pensa-se logo em médicos e hospitais. E, de fato, médicos e hospitais são fundamentais para ajudar a recuperar a saúde. Contudo, o cuidado exige muito mais, exige a garantia de condições dignas de vida, que incluem desde ações de saneamento ambiental e de enfrentamento da violência até a realização de transplantes de órgãos, passando pela vacinação e pela dieta nutritiva, entre outras coisas. Esta é a visão defendida por Mauricio L. Barreto e Luís Eugenio de Souza, membros da ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Para estes autores, construir um sistema capaz de articular todas essas dimensões é tarefa que requer, além de decisão política e capacidade de gestão, um grande investimento em pesquisa e inovação.
Temos no Brasil um dos Sistemas mais bem sucedidos no Mundo neste sentido - O SUS - muito embora cenários políticos e econômicos ameacem este modelo e suas bases, o cenário da pandemia e de toda a trágica situação enfrentada tem podido ser revertido em função da robusta rede constituída nas últimas décadas.
É a partir da visão e de programas que vão muito além do que preconiza-se como Saúde Pública, refletindo-se, também, conceitos de Saúde Coletiva que o SUS conseguiu capilarizar sua atuação. A Saúde Pública tem como objeto trabalhar mais restritamente em indicadores em termos de mortes, doenças, agravos e riscos em sua ocorrência no nível da coletividade. Enquanto a Saúde Coletiva é uma área de conhecimento multidisciplinar, visa condições requeridas não apenas para evitar doenças e prolongar a vida, mas também para melhorar a qualidade de vida. Considera determinantes da Produção Social de Doenças e desta forma objetiva Planejar a Organização dos Serviços de Saúde articulando aspectos não só Biológicos , mas também Socioambientais. Dialoga com as questões das comunidades atendidas e inclui de forma representativa todas as partes interessadas neste processo.
Como histórico relevante, apenas para citar alguns exemplos temos o Programa Nacional de Imunização (PNI), os Programas Nacionais de combate às Infecções Sexualmente Transmissíveis em especial o progresso no tratamento de HIV-Aids, o Programa de Saúde da Família (PSF), o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e o trabalho pioneiro voltado à população LGBTIQPA+. Talvez fossem muito maiores as conquistas, caso não estivessem tais programas vulneráveis a constantes ameaças de cortes em seus financiamentos ou intervenções políticas e ideológicas.
Garantir que estes sejam Programas de Estado e não apenas de Governos é uma das formas de se perpetuar suas continuidades. Assim como o alinhamento de um ecossistema de Saúde que inclua uma relação não predatória com os Sistemas Privados de Saúde Suplementar, de acesso cada vez mais restrito a apenas uma pequena parcela da população. É da conscientização e do resgate da Saúde como bem Público e Universal que se constroem tais pilares. Os tempos atuais não poderiam ser mais esclarecedores sobre a urgência de se resgatar tais premissas.
Fontes: Ascom UFG ; ABRASCO e OAPS




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